7 de setembro de 2011

Desistir de um sonho... é desistir de si mesmo...

"A chuva, mais um dia, brindava a plantação.
Era domingo, depois dos afazeres, finalmente sentou-se um pouco, olhando as gotas que vinham do céu.
Jê brincava no assoalho da varanda com seus carrinhos plásticos. Quando se tem um filho, passa a ter responsabilidade. A responsabilidade de não morrer. De vê-lo crescer, procriar e assim ele sucessivamente faria o mesmo.Uma mãe de verdade não apenas amamentava, também ensinava a repartir o alimento. Desejava que quando crescesse, seu filho se tornasse um homem lindo, e mesmo assim soubesse que era igual a todos os outros. Dedicava-se todos os dias para que seus gestos, passos, atitudes, palavras, fossem iluminados para que seu filho visse nela um exemplo e crescesse um homem de sabedoria, amor e alegria.
Uma mãe de verdade não desistia do filho, ... e nem de si mesma.
Mas em algum momento ela desistiu. Nada mais de banhos de chuva, correr ao vento, conversar com estranhos. Viver a vida! Deixar de acreditar nas mil e uma histórias sobre segurança. Um emprego, família, casa... Segurança! Colocar o pé na estrada: gesto irresponsável. Trocar o certo pelo duvidoso: coisa de ignorante. Pra que tentar quando já se tem! Quando tantos já fizeram o mesmo caminho e é muito mais fácil seguir pela trilha aberta? Para que ir ao salar da Bolívia, se só têm sal lá?
Menina estúpida! Ir tão longe pra ver sal! Economizar tanto, pra comer poeira e sal, e depois voltar pra casa de mãos vazias!
Muitos eram agredidos impiedosamente por ousarem querer ser. Ser qualquer coisa. Ser o que os seus não eram.
Nada de abandonar o certo pelo duvidoso! Antes um pássaro na mão, que dois voando! Não se arriscava! Por que não era preciso! Tinha tudo, comida, casa, família e filho. O que mais poderia querer?
Salares eram para desocupados, rebeldes e irresponsáveis filhinhos da classe média. Que iam lá, fotografavam sempre no mesmo ângulo, não entendia nada sobre o lugar, mas retornavam contando mil e uma histórias, como se realmente soubessem o que estavam dizendo.
Aquela mulher, sentada na varanda quando era jovem sonhava, desejava, mas não lutava.
Aqueles pés que caminhavam descalços e ainda macios, eram a prova do pouco que percorreram do mundo. Podia ver a tristeza se aproximando de sua alma. Sempre era assim. Sempre que ousava olhar para trás, para sua vida, para o que deixou de fazer, uma forte dor batia no peito e sufocava.
Dor na alma. Antes de se acomodar, a dor. A sensação de imenso vazio. Só vontade de chorar, nada mais! Quando fechou as portas para o sonho, quem ficou foi a dor.
Agora ela voltava. Sentia uma dor no peito, pelos sonhos desfeitos. A mesma dor da perda de suas fantasias, só com uma diferença: não as estava perdendo, por que não as tinha mais. Então, o que era aquilo?
Dor de perder, sem perda?
Ou dor de uma nova perda?
-    Mãe!
Pulou da cadeira, do susto que levou. Saindo enfim, de seus pensamentos que só a faziam sofrer. Melhor não pensar mesmo! Quanto mais pensava mais doía.
Tampar o sol com a peneira...
-    Por que Deus não é mulher?
Meus Pai Amado! Lá vinha ele com suas reflexões!
-    Por que é assim e pronto! – disse sem mais delongas.
Estava doída.
Doída por dentro, na alma.
Levantou-se e foi coar um café.
Havia dois caminhos diante de todos: ver ou continuar com o véu a cobrir o olhar. Poder-se-ia dar umas espiadelas de vez em quando,... e começar a pensar. Então, se abriam mais dois caminhos: o da Santidade e o da Loucura.
Pensamentos podiam elevar ou enlouquecer.
Quem sabe, apenas enfraquecer..."
Fonte foto: eTravelphotos

4 comentários:

  1. Lindo!!!
    Fiquei até emocionada...mãe, vc sabe, fica mole quando lê essas coisas...
    Beijinhos,
    tenha um ótimo feriadinho!

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  2. Oi.... que bom te ver por aqui!!!

    Que bom que vc gostou.
    Beijinhos
    Marli

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  3. Que maravilhoso texto, parabéns, gostei muito e me emocionou também!!
    Bjinhoss ;)

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  4. Obrigada Simone.
    Devemos sempre lutar por nossas vontades!
    Abraço!

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