23 de setembro de 2012

Estranho num mundo estranho II





Barulho de crianças. Alegria solta no ar, correndo de um lado a outro, sem medo, sem barreiras. Alegria de criança, a mais pura sinfonia, a mais tenra alegria.
Depois que o sinal tocava, um silêncio obrigatório passava a tomar conta das dependências do colégio estadual.
Silêncio de um medo compartilhado.
Silêncio de um respeito dividido.
Não se sabia, afinal, por que as crianças calavam.
Como era possível aquele pequeno instante de milagre, onde se conseguia o silêncio dos pequeninos que aparentemente, pareciam detestá-lo. Principalmente se, se encontrassem em seu mundinho com outros pequeninos?
Medo ou respeito. Difícil saber.
Ambos os sentimentos misturavam-se na alma, que às vezes ficavam confusos aos próprios olhos. Aos olhos de quem os possuía: seu hospedeiro.
No instante mágico de silêncio, entre os alunos sentados em fileiras, um atrapalhando a visão do outro; a jovem e inexperiente professora, aproveitou para dar início a aula.
Os alunos pareciam gostar dela.
Ela gostava dos alunos e da interessante arte de ensinar.
Havia os que conversavam demais, os que estavam sempre no mundo da lua, e até aqueles... digamos... “durões”: difíceis de se aproximar.
Isso tudo é que fazia valer a pena ter decidido pela carreira pedagógica. Era maravilhoso ensinar aos pequeninos, tudo era tão novo pra eles. Mais do que as equações eram para a sétima série.
A professora não tinha muitos defeitos aos olhos dos jovenzinhos, aspirantes a aprendizes. Mas ela cometia uma falha, talvez mais de uma, fatal. Seguia a risca o programa de aulas. Um bom professor era mais do que a metodologia imposta. Um professor de verdade ia além das páginas de um livro, além do programa. Um bom professor, sempre conseguia fazer seus alunos compreenderem. Por que ele sabia que não estava ensinando apenas para alunos e sim para seres humanos, gente com emoções, dificuldades, vontade e até preguiça. Sabia que era preciso muito mais do que aprendera na faculdade para conseguir fazer a diferença para aqueles que estavam sentados à sua frente, enfileirados.
O tempo, talvez um dia a ensinasse, que não bastava ser apenas uma professora, era preciso muito mais.
O tempo a ensinaria.
Deus queira que sim. 
(M.C.Jachnkee)



3 comentários:

  1. Bom dia Marli,

    Parabéns pelo post Marli, os professores merecem aplausos e todo o respeito do mundo....pois sem eles aonde nós estaríamos....show.....abçs.


    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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  2. Que isso Marli. Comecei o dia quase chorando com suas palavras no comentário que fez em meu blog. Faço uma visita ao seu e leia a primeira parte de um texto incrível e agora que leio a segunda parte fico ainda mais emocionado. Adorei o texto e a forma com que você o desenvolveu. Parabéns!

    "Silêncio de um medo compartilhado.
    Silêncio de um respeito dividido."

    Beijos,
    Felipe

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Obrigada por sua visita e por seu comentário!

Beijinhos!

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