25 de setembro de 2014

Texto: Laury Alves.




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Um clichê bem usado é melhor
que uma novidade mal escrita.


“Um clichê é uma ideia relativa a algo que se repete com tanta frequência que já se tornou previsível dentro daquele contexto.”

Sempre que ouvimos ou usamos a palavra clichê, a primeira ideia é negativa, referindo-se a algo sem criatividade. Com medo do clichê, muitos autores se aventuram nas idéias mirabolantes que trarão originalidade a estória. Mas afinal, o que é originalidade?
O ser humano conta histórias e estórias desde antes da escrita se propagar. Se pensarmos nisso, é impossível contar algo que seja inteiramente novo e que nunca antes na historia da humanidade tenha sido contato. Já existiram milhares de tipos de morte, milhares de tipos de romance, milhares de tipos de todas as outras coisas.
Uma coisa é certa: cada linha que se escreve é um pedaço de clichê. E a originalidade não está em evitá-lo, mas em saber usá-lo a seu favor. O clichê, como seu próprio significado francês nos ensina, é uma matriz. Ou seja, é a forma básica como começará sua estória. Mas atenção, a base não é a estória toda!
O que torna um clichê original são os pequenos elementos. A personalidade de um personagem, seu passado, seus sonhos... As particularidades dele o tornarão único, ainda que o caminho que ele venha a percorrer siga a matriz. E qual a matriz básico do básico? Grande virada que tira o protagonista de seu cotidiano, seguindo em frente a partir da mudança, surgimento de problemas e inimigos, tentando sobreviver a eles, ápice do caos e dos problemas, resolução de tudo e final feliz.
Um clichê se torna cansativo quando nem mesmo os pequenos elementos são originais. O que eu considero um grande exemplo disso pra mim foi o momento de sucesso de Cinquenta Tons de Cinza e seus irmãos gêmeos que vieram a seguir. Homem novo, rico, bonito, CEO de alguma empresa enorme e dominador. Mulher nova, inexperiente, insegura sobre tudo a seu respeito, desafortunada e submissa. E o resto... Bem, o resto todo mundo sabe. Combinações idênticas que encheram prateleiras.
Esse é um tipo de clichê que se deve evitar. Aquele que se torna cansativo de tanto de usar, de tanto as mesmas combinações serem feitas.
Não tente fazer o livro mais louco do universo por medo de cair em um clichê. O maior segredo é saber usá-lo e não há forma melhor de aprender a usá-lo do que lendo. Faça combinações diferentes, ponha um pouco de você e do que existe a sua volta em cada livro. O pequeno detalhe da sua história, tornará a sua estória única.
Laury Alves. 

Minibiografia da autora: Cursa Direito por profissão e escreve por paixão. Apaixonada nos livros que lê e escreve é dona do Blog Maníaca por Livros. Já teve contos publicados em coletâneas da Editora Mor e Buriti, e ganhou o primeiro lugar do Concurso de Narrativas Morro Reuter em 2013. Um de seus maiores sonhos é ter a biblioteca da Fera.

Um comentário:

  1. Oi!
    Ah, super concordei com o texto. Super!
    Acredito que clichês realmente são bons e proveitosos quando o autor sabe usá-los e por vezes moldá-los para melhor. Isso é o diferencial.
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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